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Norberto Nicola

Norberto Nicola
Norberto Nicola (1930 – Brasil – São Paulo – SP Paulo/23.05.2007-São Paulo/SP)
Biografia
Norberto Nicola (São Paulo SP 1931 – idem 2007)
Tapeceiro, pintor, desenhista, escultor e gravador. Em 1954, começa sua formação no curso para professores de desenho da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap) e no Atelier-Abstração, de Samson Flexor (1907-1971), em São Paulo. Ali conhece Jacques Douchez (1921), com quem cria, em 1957, o Ateliê Douchez-Nicola de tapeçaria, que dura até 1980. Passa a produzir tapeçarias, primeiro planas e depois tridimensionais. Faz estágios na manufatura de Aubusson, França, entre outras na Europa. Apresenta mostra individual no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ), em 1961. Participa da 7ª Bienal de São Paulo, em 1963, e da 8ª, 9ª, 11ª e 13ª edições do evento. Expõe suas obras em lugares como a Galeria da O.E.A., em 1973, em Washington, e o Museu Nacional de Belas Artes do México. No mesmo ano, recebe o prêmio da categoria tapeçaria da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Cria a Trienal de Tapeçaria, que teve três edições em São Paulo, a primeira em 1976. Por volta de 1970, Nicola torna-se colecionador e estudioso da arte plumária brasileira. Produz mostras importantes, como a Arte Plumária no Brasil, em 1980, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). No final dos anos 1990, começa a fazer gravuras por meio do computador. Expõe algumas destas no Club Athletico Paulistano, em São Paulo, em 2000.
Comentário crítico
As tapeçarias de Nicola utilizam-se de raízes, folhas, terra, penas, árvores e cipós em tons quentes e envolventes, em entrelaçamentos que nos põem diretamente no meio de uma selva, como se fossem recortes desta. Os materiais tradicionais da tapeçaria são variados: lã, linho, estopa, sisal, vime, cânhamo e outros. Podem estar trançados e tecidos, mas também soltos, como se fossem plumagem, pelagem ou capim. O resultado é fortemente tátil, sensual e vivo.
Além desse aspecto sensorial, ele consegue investir suas peças de uma dimensão ritualística. Como afirma o crítico Jacob Klintowitz no texto de apresentação de uma exposição, o artista brasileiro em geral acredita que está mais em contato com a natureza do que os outros e que sua missão é resgatar a herança mística, cultural e formal do país. Aqui, essa missão parece ter sido cumprida.
Crisálida, por exemplo, de 1980, é uma espécie de manto xamanístico em cores fortes, como vermelhos, amarelos e azuis, em forma de grandes asas abertas, de cujas bordas pendem tipos de cipós e fios soltos. Remete-nos diretamente à arte plumária brasileira.
Para esta, a partir dos anos 1970, Nicola busca a legitimação, organizando mostras e estudos. Na apresentação de um dos catálogos de exposição, afirma querer divulgar essa arte, mas também guardá-la e preservá-la, despertando o interesse do público e fazendo registro dela.2 Essa consciência pública da arte se manifesta igualmente na sua atividade em comissões, por exemplo no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP), e na coordenação de eventos, como a Trienal de Tapeçaria.