
Gastão Formenti
Gastão Formenti (Guaratinguetá, 24 de junho de 1894 — Rio de Janeiro, 27 de maio de 1974) foi um pintor, desenhista, mosaicista, vitralista e cantor brasileiro.
Filho do italiano Cesare Formenti, pintor, decorador e cantor lírico amador, e irmão da escultora Sara Formenti.
Em 1895, sua família se transferiu para São Paulo. Fez o primário na Escola Filorette Fondacari, em São Paulo, e o secundário no Ginásio São Bento, no Rio de Janeiro. Aos nove anos, começou a estudar pintura com o pai e com Pietro Strina. Em 1910, transferindo-se com a família para o Rio de Janeiro, passou a trabalhar com o pai em pintura e, a 25 de fevereiro de 1920, casou-se com Otília de Oliveira.
Vitral art nouveau de Gastão Formenti no Hospital dos Lázaros, São Cristóvão, Rio de Janeiro, inaugurado em 1920 com a inscrição “Aqui Nasce a Esperança”
Vitrais de Gastão Formenti encontram-se na Igreja de São Domingos, em Niterói, no hall do Edifício Orania, em Copacabana, em mausoléus do Cemitério da Penitência, no Caju], no Hospital dos Lázaros de São Cristóvão e na cúpula de vitral do Palácio Tiradentes.
Carreira musical
Gastão Formenti
Informações gerais
Gênero(s)
Sertanejo
Romântico
Extensão vocal
tenor
Período em atividade 1927-1959
Gravadora(s)
Odeon, Parlophon, Brunswick, Columbia, Victor
Afiliação(ões) Joubert de Carvalho, Rogério Guimarães, Valdemar Henrique
Gastão começou sua carreira de cantor em 1927, aos 33 anos; instigado pelo escritor Gastão Penalva, apresentou-se na Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, cantando a canção “Ontem ao Luar” (Catulo da Paixão Cearense e Pedro de Alcântara). No mesmo ano, foi contratado pela gravadora Odeon, que havia pouco inaugurara a gravação elétrica no Brasil. Em seu primeiro disco, gravou o motivo popular “Anoiteceu” e o tango sertanejo “Cabocla Apaixonada”, de Marcelo Tupinambá e Gastão Barroso. Em seguida, gravou composições de Joubert de Carvalho, como as toadas “Canarinho”, “Rolinha”, “Sabiá Mimoso” e o maxixe “Boca Pintada”. Em suas primeiras gravações, foi acompanhado ao violão por Rogério Guimarães.
Nos primeiros três anos de sua carreira musical, lançou discos tanto pela Odeon quanto por sua subsidiária, a Parlophon, onde, aliás, obteve seu primeiro grande sucesso: “Casa de Caboclo”, canção de Hekel Tavares e Luís Peixoto sobre motivos de Chiquinha Gonzaga.
Ao lado de Carmen Miranda, foi o primeiro cantor brasileiro a assinar um contrato com uma rádio, a Mayrink Veiga, em 1930. No mesmo ano, porém, transferiu-se para a Rádio Transmissora. Trocou também de gravadora; saindo da Odeon, passou para a Brunswick e, após gravar um único disco pela Columbia em fevereiro de 1931, foi contratado pela Victor, através da qual lançou várias músicas da dupla Joubert de Carvalho e Olegário Mariano, como o cateretê “De Papo pro Á”, a canção “Zíngara” e o fox “Beduíno”. Em junho de 1932, gravou a canção “Maringá” (Joubert de Carvalho), um grande sucesso que, mais tarde, daria nome à cidade paranaense.
Entre 1934 e 1935, lançou várias composições de Valdemar Henrique. Nesse ano, passou a atuar no Rádio Clube do Brasil e, em 1937, voltou a gravar pela Odeon.
Começou a se afastar da carreira de cantor a partir de 1940. Entre esse ano e o seguinte, gravou apenas dois discos. Passou a se dedicar mais à pintura, área em que também se destacou. Voltou a gravar somente seis anos depois, lançando a valsa “Não Vale Recordar” (José Conde e Mário Rossi) e a toada-rumba “Lua Malvada” (Saint-Clair Senna).
Em 1952, agora na Victor, regravou “Nhá Maria” e “Trovas de Amor” (ambas de Joubert de Carvalho) e, em 1956, na Sinter, relançou “De Papo pro Á” e “Maringá”. Em 1959, a RCA Victor regravou seus grandes sucessos no LP “Quadros Musicais”. Após esse lançamento, retirou-se definitivamente da vida musical.
Sucessos
Título Autor(es) Ano
A Vida É Boa… Saint-Clair Sena
1937
Anoitecer Motivo Popular 1927
Beduíno Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
1932
Bem-Te-Vi Sinhô
1928
Boca Pintada Joubert de Carvalho
1927
Boi-Bumbá Valdemar Henrique
1935
Cabocla Apaixonada Marcelo Tupinambá
1928
Cai, Cai, Balão Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
1929
Casa de Caboclo
Hekel Tavares e Luís Peixoto sobre motivos de Chiquinha Gonzaga
1928
Cobra Grande Valdemar Henrique
1935
Coração, por Que Soluças? José Maria de Abreu e Saint-Clair Sena
1937
De Papo pro Á
Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
1931
Foi Boto, Sinhá Valdemar Henrique
1934
Folhas ao Vento Milton Amaral
1934
Glória Bonfiglio de Oliveira e Branca Coelho
1931
Jóia Falsa Osvaldo Santiago
1934
Lua Branca
Chiquinha Gonzaga
1929
Maria Fulô Leonel Azevedo e Sá Róris
1937
Maringá
Joubert de Carvalho
1932
Meu Sofrer (Queixumes) Henrique Brito e Noel Rosa
1930
Minha Boneca Luís Lamego e Paulo Barbosa
1938
Na Serra da Mantiqueira
Ari Kerner
1932
Não Sei para Que Viver Saint-Clair Sena
1939
Nhá Maria Joubert de Carvalho
1928
Olhos Tristes Jararaca e Vicente Paiva
1938
Sabiá Mimoso Joubert de Carvalho
1927
Samba da Saudade Ronaldo Lupo e Saint-Clair Sena
1934
Suçuarana
Hekel Tavares e Luís Peixoto
1928
Tutu Marambá
Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
1929
Zíngara
Joubert de Carvalho e Olegário Mariano
1931
Recepção crítica da pintura
Na 24ª edição da Exposição Geral de Belas Artes, em 1917, o escritor e crítico Monteiro Lobato elogiou a obra Tarde no Leblon, ressaltando sua “frescura das tintas e excelência do céu”. Nesta ocasião, o Formenti de apenas 21 anos já demonstra a inclinação que o tornaria um destacado paisagista, atividade que continuaria até a metade da década de 1960.
Durante sua carreira, Gastão cria diversas marinhas de praias cariocas, como Iate Clube do Rio de Janeiro (1951), Paquetá (1958) e Praia da Gávea (1963). Essas obras seguem o modelo tradicional da pintura de paisagem marinha, apresentando uma estreita faixa de terra em primeiro plano (a praia), seguida pela área do mar, com outra faixa de terra (as montanhas) ao fundo, e, por último, o céu. A “excelência do céu” mencionada por Lobato é claramente visível nessas obras, onde o artista demonstra habilidade em capturar os reflexos de luz nas nuvens em diferentes momentos do dia e sob diversas condições climáticas.
Em Luz e Sombra, Gávea (1935), Formenti também explora a luz sobre a terra. A composição é estruturada como se o artista estivesse observando a cena sob uma grande árvore, apresentando, em primeiro plano, uma ampla área em sombra, que contrasta com a zona iluminada em verde e amarelo na parte superior do quadro. Além de habilidade no uso das cores, a pintura revela uma astúcia na organização da obra, ao opor a área iluminada à esquerda a uma bananeira sombria à direita, garantindo o equilíbrio da composição.
Exposições
Exposição Data
20ª Exposição Geral de Belas Artes 1913
21ª Exposição Geral de Belas Artes 1914
22ª Exposição Geral de Belas Artes 1915
23ª Exposição Geral de Belas Artes 1916
24ª Exposição Geral de Belas Artes agosto de 1917
25ª Exposição Geral de Belas Artes agosto de 1918
26ª Exposição Geral de Belas Artes agosto de 1919
27ª Exposição Geral de Belas Artes 1920
28ª Exposição Geral de Belas Artes 1921
29ª Exposição Geral de Belas Artes 21 de novembro de 1922
30ª Exposição Geral de Belas Artes 1923
31ª Exposição Geral de Belas Artes 1924
32ª Exposição Geral de Belas Artes 1926
33ª Exposição Geral de Belas Artes 12 de agosto de 1927
34ª Exposição Geral de Belas Artes 1928
35ª Exposição Geral de Belas Artes 1929
36ª Exposição Geral de Belas Artes 1930
37ª Exposição Geral de Belas Artes 12 de agosto de 1933
1º Salão Paulista de Bellas Artes 25 de janeiro de 1934
7º Salão Paulista de Bellas Artes 17 de dezembro de 1940
8º Salão Paulista de Bellas Artes 1942
9º Salão Paulista de Bellas Artes 19 de abril de 1943
10º Salão Paulista de Bellas Artes 19 de abril de 1944
50º Salão Nacional de Belas Artes 1 de outubro de 1944
11º Salão Paulista de Bellas Artes 19 de abril de 1945
1ª Exposição dos Pintores do Rádio julho de 1954
6º Salão Municipal de Belas Artes agosto de 1954
3ª Mostra de Arte 27 de maio de 1996
Marinhas em Grandes Coleções Paulistas 10 de agosto de 1998
Cidade Maravilhosa: uma iconografia carioca – 1920/1980 2005